Chat para o Solar


Equipe:

Viviane Sampaio Maia
Henrique Araujo
Frederico Da Rocha Tomé Filho


Yggra: Plataforma de chat / fórum

O conhecimento não é linear. Dúvidas geram mais dúvidas, tópicos se aprofundam, discussões rapidamente fogem do seus trilhos originais.
 Os sistemas de chat atuais, infelizmente, não acompanham esse tipo de fluidez, por servirem apenas para exibir diálogos lineares, em que um único tópico é abordado. Conversas por vezes ficam confusas e desorganizadas, e muitas vezes ninguém entende mais o que está acontecendo na discussão.
Fóruns, por outro lado, são levemente mais organizados. Cada sala possui um assunto, logo se a conversa foge deste, um novo tópico pode facilmente ser aberto para desenvolver a nova ideia. A rigidez também ajuda a reduzir a quantidade de mal-entendidos, o que ajuda os tópicos a se manterem em uma única linha. Mas fóruns possuem uma estrutura muito estrita, e as discussões tornam-se mais estáticas devido ao formato de grandes mensagens a serem “postadas”.
Devido a esses problemas, acreditamos que nenhuma das ferramentas existentes atualmente pode ser considerada “ideal” para que uma conversa discorra de forma fluente e de fácil compreensão a todos que estão envolvidos na discussão. Por causa disso, propomos um conceito completamente diferente de sala de chat: o Yggra.
É de conhecimento popular que as árvores representam conhecimento e sabedoria. O que não é geralmente reparado é como a sua estrutura pode ser facilmente comparada às etapas de uma discussão. As raízes fortes, simbolizando a base do conhecimento; o tronco, espesso, representando uma grande pergunta a ser resolvida, que só se sustenta devido às suas bases; os galhos, representando os diversos rumos que uma discussão pode tomar, todos ao mesmo tempo; as folhas, que são partes essenciais para manter a árvore viva, funcionam como os comentários em um debate, essenciais para que cheguemos em algum resultado; e por fim, os frutos, o ápice da árvore e da discussão, o propósito com o qual ambos são criados.
Baseado nessa simples analogia, apresentamos o Yggra. Seu nome deriva da famosa Yggdrasil, a mais conhecida árvore da mitologia nórdica, ao redor da qual os deuses se reuniam diariamente para debater.

O que é o Yggra?

O Yggra é um sistema de chat com um apelo visual e funcional. O sistema funciona da seguinte forma:
Um assunto é decidido. Esse assunto aparece graficamente representado como o tronco de uma árvore simples. Qualquer pessoa pode criar uma árvore, e essas árvores podem todas serem vistas em uma tela de seleção de sala de chat.
Caso o criador do assunto decida sugerir fontes de pesquisa, esses elementos aparecem nas raízes da árvore, abaixo do tronco. Os links são acessáveis por todos.
Acima, vem a copa. Cada vez que um comentário novo é adicionado, o galho estende-se, e uma nova folha aparece na árvore. A folha contém o conteúdo do comentário (com um limite razoável de caracteres), e a imagem do avatar da pessoa que colocou aquele comentário. Colocar o mouse sobre a imagem exibe algumas informações adicionais sobre o usuário, como nome ou apelido, e o momento da postagem. Informações adicionais podem ser visualizadas se o usuário permitir.
A folha contém três botões: Responder, Concordar, Reportar.  O primeiro botão permite ao usuário que o utiliza a possibilidade de comentar a respeito daquele assunto. Um galho se expande a partir dessa folha, e uma nova folha com o novo comentário é adicionado. Contudo, se duas ou mais pessoas responderem à mesma folha, galhos adicionais serão criados. Isso permite com que um comentário crie ramos distintos, e os galhos tornam a compreensão desses ramos algo mais intuitivo (afinal, o chat não está mais trabalhando com o conceito de tempo, o momento em que foi comentado, e sim com o conceito de assunto, ou O QUE foi postado, que é o que verdadeiramente importa em uma discussão).
O segundo botão, concordar, aumenta um ponto ao score da folha. Folhas com muitos pontos tornam-se frutos, ou em outras palavras, comentários – chave. Frutos são comentários essenciais a discussão, pois são um consenso da maioria. Logo, nada mais justo do que torna-los fáceis de identificar. Folhas que possuem muitas ramificações também se tornam frutos, pelo motivo exatamente oposto: são pontos espinhosos, de pouco consenso e, portanto, mandatórios de serem lidos e discutidos.
O terceiro botão, Reportar, necessita ser adicionado porque infelizmente nem todos os tipos de debate são sadios. Quando pessoas começam a se exaltar, certos assuntos podem acabar ficando pesados e irrelevantes à progressão da discussão. O botão reportar faz com que a folha seque e fique amarela, impedindo o usuário de ler seu conteúdo facilmente. Se o usuário realmente desejar ler o conteúdo da folha, ele pode simplesmente clicar nesta para abri-la, pois mesmo ânimos exaltados podem servir para a compreensão de certas coisas, e eliminar esses comentários seria injusto à discussão.
Os comentários podem ser escritos em diversas fontes, e imagens e links podem ser anexados facilmente às folhas através de uma ferramenta de postagem simples, similar às caixas de resposta rápida em certos fóruns.
A árvore pode ser navegada tranquilamente utilizando o mouse. Ao se clicar em um ponto de um galho qualquer, todas as conversas que aconteceram após aquele ponto aparecem em uma caixa similar às caixas de chat de jogos online, em ordem cronológica, com a diferença que após cada comentário há os três botões que as folhas possuem. Em caso de haver ramificações mais adiante naquele galho, os diálogos serão exibidos no chat em ordem de tempo, e com um prefixo para indicar em que galho se encontra. Os posts de fruto têm uma estrelinha à sua frente, e as folhas secas não são exibidas.
O sistema também possui salas de chat de voz, que funcionam de forma mais tradicional. Os usuários online no sistema aparecem identificados ao redor de um Sol (remetendo ao Solar), como se fossem raios saindo deste, localizado sempre no canto direito superior da tela. O número de raios no sol indica o número de pessoas conectadas àquela árvore, apesar de também possuir uma maneira simples de listar todas as pessoas (simplesmente posicionar o mouse sobre o Sol e aguardar um instante). Clicar no nome de uma pessoa ao redor do Sol permite a iniciação de uma conversa privada, em um chat simples semelhante ao do Facebook.




Download: Referências + tela do chat.

PS: Aqui vai também a versão antiga do chat que comentamos na apresentação, que acabou por ser descartada por termos tentar procurar mais inovação.






Sobre fazer o vídeo

Começamos analisando os nossos recursos. Não tínhamos nenhum desenhista, não tínhamos equipamentos de gravação audiovisuais muito bons, mas tínhamos uma sala para gravar som muito boa. Então procuramos referências de como fazer esse vídeo e achamos o canal do YouTube do Dennis Lee. O estilo dele de vídeos se enquadrava perfeitamente com os nossos requisitos, não precisaríamos entrevistar pessoas ou filmá-las evitando aborrecimentos como câmeras tremidas, muito barulho na gravação, e parecia simples fazer um vídeo parecido. Mas não é bem assim.

Como tínhamos pouco tempo para fazer o vídeo trabalhamos com um programa de metas rígido que foi dividido em pesquisa, roteiro, storyboard, gravar áudio, tirar fotos (É um vídeo stopmotion), editar áudio, editar vídeo, sincronizar áudio e vídeo, renderizar. Tivemos vários problemas para serem resolvidos durante cada fase como: Porque raios lógica e semiótica são associadas ou são a mesma coisa?Roteiro passou de cinco minutos, reduzir roteiro. Gravar áudio todo de uma vez ou separado? Montar o vídeo e depois “dublá-lo”, ou seja, gravar o áudio enquanto o narrador vê o vídeo para facilitar a sincronização áudio-vídeo? Discussões sobre as definições corretas dos elementos abordados no vídeo. Tamanhos e quantidades de frames adequadas para um vídeo ficar com bom visual e fluido. Como tirar fotos bem iluminadas sem mostrar o clarão da lâmpada?

Resolvemos esses problemas da melhor maneira que achamos. Áudio gravado separadamente e por partes, tiramos fotos separadas da mesa e dos desenhos que fizemos, editamos cada frame no photoshop e sincronizamos áudio e vídeo. A discussão sobre os conceitos básicos nos fez tirar dúvidas e fixar a matéria. Utilizamos os conceitos de semiótica para escolher os melhores exemplos para facilitar a compreensão dos espectadores e para desenharmos os ícones dos exemplos.
Marinha, de Aldemir Martins

Foi feita com tinta acrílica sobre a tela. As três cores principais estão bem divididas, com linhas retas, e há um degradê nas partes superior e inferior. Representa, basicamente, o mar.
As duas partes de cima, a azul e a verde, me dão uma sensação de tranquilidade. A parte de baixo é cheia de riscos (grama?) e não dá para enxergar a cor por trás deles direito, o que me deixa intrigada sobre o que poderia haver lá.
Não lembro muito dos meus sonhos, então escolhi um pesadelo de infância. Eu estava trancada em uma sala com outras garotas e, de repente, uma delas vira uma bruxa e eu me escondo atrás do sofá.
Tentei desenhar o sofá, que representava segurança, e a janela atrás dele, por onde eu pensei que poderia escapar.

Trabalho de observação

O trajeto do ônibus que pego para ir ao Pici demora, mais ou menos, 50 minutos. Para passar o tempo, eu costumo ficar observando as pessoas, então essa atividade não foi muito diferente para mim. Quando se pega a mesma linha todo dia, dá até para re-encontrar pessoas. Dessa vez, infelizmente, não foi um desses dias, mas foi igualmente interessante.

Estava chovendo e, assim que entrei no ônibus, pude sentir o ambiente meio abafado. Sentei logo na cadeira do espaço para deficientes, porque dá pra ver quase tudo de lá. Várias pessoas subiam, porque estávamos no terminal, mas só umas três ficaram em pé. Na cadeira em frente ao trocador, uma menina de uniforme de escola pública sentou e se levantou logo depois, para dar o espaço à mãe.

Ninguém conversava, além de duas mulheres na frente, mas não conseguia ouví-las. Não tinha rádio ligado, restando só o barulho do ônibus em si e a chuva lá fora para serem ouvidos.

Um adesivo dizendo “VISITA UTI” estava pregado na parede. Fiquei imaginando se a pessoa já estaria bem, mas duas novas passageiras chegaram para me tirar a atenção.

Uma mãe segurando sua filha no colo. A menina parecia desanimada, mas depois descobri que era só sono. Uma mulher e eu oferecemos dar nossos lugares, mas ela não quis. Disse que já ia descer, mas na verdade isso demorou um pouquinho. Até as duas chegarem ao seu destino, fiquei olhando muitas vezes, preocupada que a menina fosse cair.

Gosto muito de crianças e de observá-las nos ônibus, são as mais divertidas. Mas também gosto de olhar as roupas que as pessoas usam. Por exemplo, nessa mesma viagem estava um menino usando duas bermudas diferentes ao mesmo tempo, assim como os brincos em cada orelha. Uma senhora entrou ainda usando a capa de chuva, mas a essa altura já tinha parado de chover. Uma carteira ficava tão pequena no chapéu do uniforme que eu nem consegui ver seu rosto!

Em uma das paradas, ouvimos gritos. Era uma mulher correndo, pedindo para o ônibus esperar. Ela subiu, agitada, acompanhada de um velhinho bem tranquilo. Quando desviei minha atenção, percebi uma senhora me encarando. Ela estava bem próxima e eu não tinha notado quando ela chegou, então foi um pouquinho assustador.

Várias pessoas saem da parte de trás do ônibus, isso significa que estamos perto da faculdade. Não cheguei a ver se alguém sentou na minha cadeira quando levantei. Fiquei chocada de ver um pedaço de papelão no chão, porque não tinha notado antes. Me senti meio culpada, porque, se tivesse observado as coisas direito, eu deveria ter percebido isso.

Agradeci o motorista pela viagem, ele sorriu. Desci do ônibus.